“Us, and them And after all we're only ordinary men. Me, and you. God only knows it's not what we would choose to do. Nós e eles, provavelmente não assim tão iguais..Nós e eles, e um muro tão grande como o que nos separa da Lua.. Nós e eles, sempre um rio que sangra, um menino que não tem para onde voltar.. Nós e eles. e tudo é condicionado, para tudo há limites, até para o que é imensurável.. Nós e eles, a vida feita diminuída, complicada, séria demais..a vida não vivida pela expectativa de dias que não irão existir.. Nós e eles, e o pregador na TV assombrando vidas, destruindo qualquer semente de construção.. Nós e eles, e uma trincheira de desconhecimento, de lugares proibidos, de amor(?) vencido pelo medo.. Nós e eles, e chamas solitárias do outro lado.. quase invisíveis, que já nem sabem mais para que foram acessas.. Nós e eles, e o mundo que mudou. E o mundo que morreu. Nós e eles, e a necessidade da morte, da astúcia da morte. Nós e eles, e o dia que precisa amanhecer.. Nós e eles, e a força que o amanhã não tem.. Nós e eles, e a espera transformada em calçada.. em cotidiano, em certezas tão exatas quanto o acordar em um mundo de paz.. ..there's room for you inside..”
Escrito por paulo honório às 01h34
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Sempre um ponto de vista, sempre um lugar de partida, sempre um começo, sempre..talvez.. O tempo da vida, o tempo exímio, o que se inventa, e o que se perde. Sempre um final, sempre a chegada, sempre a espera dela. Em tudo a Caverna, essa senhora caprichosa que governa o destino alheio e que nos engana cotidianamente. Vaidosa, claustrofóbica, ruidosa. A todos dá do seu saber com violência e predileção. Para uns sonos benfazejos, para outros o peso do dia, da noite longa demais, do sol que nunca se lenta. Seu desvario, sua incerteza, sua dúvida. Tudo nela é tremulante e incerto. Tudo evoca outro tempo, outro mundo, outra luz. Só que nela, o absoluto se esvai como a poeira de setembro e sua divindade se torna então manifesta. Veneno e antídoto, dor e anestesia, confronto e desolação. Suas sombras são sua essência e sua missão. Nela, encontramos tudo o que não precisamos e o combustível desta vida. Apenas desta.
Escrito por paulo honório às 01h42
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Janeiro, Fevereiro e cá estamos em Junho já. Tantos dias, semanas, tantas indas e vindas.. tantas coisas. Poucas coisas. Trabalho, namoro, amigos, TV, saídas,leituras, viagens, tempo só indo e nunca vindo. De vez em quando alguma frase de efeito, algum filme mais valente ou não, dificuldades, dúvidas, enfim, algum solavanco na vida.. mas o barquinho segue, devagar, devagar.. bem mansinho..ah, e tem os meus sonhos..Nossa, como gosto deles! Ir dormir é muitas vezes a parte mais divertida do dia. Se existe um mundo que eu gosto demais de visitar é o mundo dos meus sonhos. Absurdos, confusos, repetidos, geográficos, pessoais, impublicáveis. Eles são muitas vezes completamente marcantes, a ponto de me fazer acordar zonzo, sem saber o que era, onde estava, onde não estava. Histórias inteiras são desenvolvidas neles. Lugares que eu volto sempre, várias vezes até. Ainda quero contar mais sobre meus sonhos, sobre o quanto eles me deixam entusiasmado! Mas Junho já chegou e esse ano trouxe um frio gostoso, mas bravinho também! E a vida segue, trilhando um caminho que eu não planejei muito, mas que talvez por isso me tenha sido tão diferente, tão diverso. Um caminho que é meu e que não é também. Que me faz pensar na vida, no que eu vivo e na que eu posso viver.
Escrito por paulo honório às 01h26
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Quando Nietzsche Chorou Não sou entendido de Cinema. Gosto demais, mas não tenho a devida disciplina e estudo para ser de fato entendido dele. Sendo assim estabeleci para mim mesmo um outro tipo de “entendimento do Cinema”. Como não sei da técnica, gosto do conteúdo. Evidentemente isso não significa que simplesmente assista filmes tidos como “cults” ou o que for. Mas gosto demais quanto um filme mexe comigo, me deixa calado, ou só me surpreende. Quando pensei nesse blog pensei que ele seria uma espécie de “blog para comentários de filmes que eu assisto e o que eles geram em mim”. Não foi assim. Me perdi nele, meio que o abandonei e essa ideia inicial se esvaiu. Mas hoje (só hoje, por enquanto) vou tentar retomar o caminho abandonado. Dos filmes que assisti recente o melhor, sem dúvida, foi “Quando Nietzsche Chorou”. Já havia ouvido falar dele, mas só dei atenção quando ele foi veementemente recomendado pelo meu irmão. Achei curioso ele ter gostado tanto e então o aluguei. E foi excelente ter feito isso. “Quando Nietzsche Chorou” é daqueles filmes que, com alguma bajulação, podem mudar a sua vida. Em linhas gerais o filme conta a história do famoso filósofo alemão que, devido à sua saúde decadente, se vê obrigado a tratar-se. E então um embate brilhante entre filosofia e psicanálise se desenvolve. Aqui se encontram dois homens (médico e paciente) e uma história onde o grande elemento não é apenas a vida, mas o destino como algo maior. Das fragilidades humanas, dos equívocos e das vontades individuais, surge o valor de cada um, da sua necessidade de ser em si para ser também para além de si. Destino. Missão. Para mim esse é um assunto tão particular, tão cheio de interpretações vagas e talvez até erradas e frustrantes. Mas é o que norteia o filme, e é o seu maior benefício a nós.
Escrito por paulo honório às 17h37
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Cambia todo cambia Mudar, se transformar, renascer, ser outro; igual, mas totalmente diferente. Deus, como é difícil acreditar na mudança, acreditar que as pessoas mudam e que nós mudamos. Mas a natureza toda não é repleta de mudanças, de trocas, de absorções, de renascimentos? Um se transforma em outro, muda, cresce, coexiste, se torna maior ou menor. Se torna diferente, se converte em outro. Só que mudança é também sinônimo de dor, de resistência, de agonia. Se crescer dói, mudar é muito mais agressivo. Exige uma transformação conceitual, de perspectiva, de destino. Uma lagarta não tem a mesma visão de mundo de uma borboleta, por assim disser. A última vai bem mais além do que a primeira conseguiria. No cerrado algumas sementes só germinam depois que são submetidas à exposição ao fogo que a milênios queima a savana brasileira. Mudar é sofrer, é se permitir que coisas externas façam que sua vida seja redirecionada, reinventada, repaginada. O preço de tudo isso? Bem, talvez exista não apenas um, mas vários. Para o bem e para o mal. Muito se fala da dor da mãe que está para dar a luz, mas pouco da dor do bebê em nascer, em sair de seu estado de conforto para um ambiente frio e turbulento. Mas ele vem, cresce, se transforma, e não carrega consigo recordação nenhuma dessa dor, se é que ela existe, inicial. Ninguém é igual tudo dia e feliz daquele que se dá por vencido e pode aceitar que, como cantou Mercedez Sosa:cambia lo superficial, cambia también lo profundo, cambia el modo de pensar, cambia todo en este mundo; cambia el clima com los años, cambia el pastor su rebaño, y así como todo cambia, que yo cambie no és estraño!
Escrito por paulo honório às 17h12
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Sobre o dizer e o não dizer.. Uma boca para falar, dois ouvidos para ouvir. Pela matemática do corpo é de se pensar que estava certo quem disse que em se ouvir mais há melhor ganho do que se falar aos montes. Bem, talvez. Mas para além do dizer, há também o não dizer. Não dizer é tal como a escuridão é para a luz. Ela é o que há primeiramente até ser rompida, aqui e ali, por feixes, faíscas, fagulhas, raios, enfim. Quando se diz alguma coisa, não se diz uma infinidade de outras.. Mas nem por isso o que de diz deixa de ser verdadeiro ou sincero. Não sei se falo por todos, com certeza não, mas para um mineiro há um mistério bem maior em não dizer do que em dizer. No mundo das minhas reminiscências sempre existiu um diálogo intenso entre tudo que não era dito e tudo que era sentido. E havia tanta verdade em tudo aquilo. Por vezes uma expressão facial, um olhar, um sorriso acanhado valiam por uma conversa inteira. Mas isso tudo é passado. Hoje, depois de tantos anos em Brasília, o que vale é o preto no branco, onde cada palavra significa inteiramente o que significa mesmo. Isso é bom, é válido, mas é tão sem mistério. Sei que estou escrevendo contra mim mesmo, mas gosto das coisas que não digo, das que guardo no coração, das que me dão esperança em silêncio. Acredito piamente que um dia tudo será dito aos quatro ventos, para todos, sobre tudo. Enquanto isso vem, vou tentar ficar também com o meu não dizer, dando a ele a importância necessária para que o que for dito seja diretamente proporcional em sinceridade e ternura.
Escrito por paulo honório às 03h07
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"A Mulher de Sete Metros"
Onde hoje se localiza o Forúm de Patos de Minas, situou-se o primeiro cemitério da cidade. Dali, segundo a tradição, sai uma mulher de sete metros de altura e vai até perto do monumento do Presidente Olegário Maciel. É a alma penada de Lavi Lopes, fazendeira bastante rica e possuidora de muitos escravos, que viajava muito, indo constantemente ao Rio de Janeiro, onde gozava dos encantos da cidade. Era de grande perversidade, sobretudo para com seus escravos. Jogava gordura fervendo nas negras, queimando-as porque elas não realizavam os trabalhos de acordo com seu exigentíssimo gosto. Isto só para martirizá-las. Umas das escravas tentou jogar a malvada dentro da cisterna. A sua maldade era tão grande que, quando usava sapatos de salto alto, pisava nos braços dos filhos dos escravos quando estes engatinhavam, quebrando-lhes os braços e não permitia tratamento e nenhum cuidado aos inocentes machucados. Em razão disso, foi ficando isolada de todos e de tudo. Ninguém desejava a sua companhia, e fugiam dela. Viveu muitos anos, tristemente, morrendo já bastante idosa, abandonada e pobre. A sua figura, quando morta, inspirava terror, pois não fechou os olhos, nem a boca, ficando com a língua para fora. As crianças tinham pavor dela, e de seu aspecto. Em sua antiga casa, ouviam-se, até há pouco tempo, arrastar de correntes, ganidos e gritos de dor. Site: As Minas Gerais
Escrito por paulo honório às 17h03
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Para a Érica, Acho que nunca pensei nele seriamente, ou nunca no sentido de querer saber qualquer coisa dele. Ele nem é tão característico para quem vive nos cerrados brasileiros, quer dizer, até pode ser: as chuvas diminuem; os dias vão ficando menos quentes e mais curtos; o vento da tarde já trás consigo algo de frio, o verde vai dando lugar ao amarelo, ao palha; as mexericas já podem ser colhidas e o principal: a seca vai chegando devagar até se tornar ela própria o inverno e quase toda a paisagem. De qualquer forma nunca havia me atentado a ele. E ele se foi ontem ou anteontem, tal como muito de nós se perde sem ser percebido ou entendido. Foi-se o Outono, veio o Inverno, o mesmo que não me gerou, mas no que nasci. O das férias geladas de julho, dos pés frios e às vezes de meia, da fumaçinha que sai da boca quando se vai para a escola cedinho, dos banhos corridos, dos muitos cobertores, do preguiçoso acordar, da cama quentinha e do prazer de ser aquecido. O Outono é passado e só o que resta é esse frio com o sol quente que faz com que a poeira de Brasília se torne redemoinho e também canção, beleza, morte e no fim, lá no fim dela mesma, vida. Até porque dizem que a flor da cagaiteira não cai na poeira..
Escrito por paulo honório às 02h15
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Brasília, 49 anos E Brasília fez quarenta e nove anos e também 9 que vivo por aqui. E o que é Brasília? O que ela representa para este país? Para o futuro, para o passado? Um sonho, uma utopia, um castelo medieval, uma flor de concreto plantada no solo vermelho deste planalto infinito? Provavelmente ela é tudo isso e tantas outras coisas. No fundo há inúmeras Brasílias, tão diversas entre si, tão diferentes, contraditórias. Às vezes parece que enquanto o mundo caminha para um lado, aqui se vai para outro. Cidade monumento, engessada e mutante. Suas dimensões sem fim, seu lago que quase toca o céu, seus crepúsculos-espetáculos, seus ipês, sua gente daqui e de fora, sua música, sua magia, seu mistério. Para muitos uma cidade fria, de trato difícil, de grupos impenetráveis, de distâncias que só separam, sem esquinas, sem povo na rua. Mas talvez a questão seja aprender olhar as coisas com atenção e, sobretudo, com predisposição de ir ao encontro delas. Daí tudo fica diferente. Talvez ainda esta cidade não exista completamente enquanto cidade, talvez ela possa ser um novo conceito não tão entendido ainda. Mas para mim ela é algo ainda próximo do preciso entender como lar. Sei que ainda não o é completamente, talvez só um começo. Aqui tanta coisa aconteceu, desconteceu, se misturou, ficou e foi embora. Aqui sei o que é ser livre, o que é ter paz, mas também o que é ser pequeno diante da imensidão desse mundo impossível que é Brasília. Minha alegria, minha tristeza, minha inquietude, meu desgosto, minha vontade de ir para não sei onde, minha vontade de ficar sempre. Em tudo Brasília terá parte de culpa, parte de responsabilidade e também será completamente inocente.
Escrito por paulo honório às 01h13
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Eu queria ser o vento.. A nós, por mistérios maiores que o tempo, nos coube nascer humanos e não pássaros, cobras ou árvores. Também não somos fogo, plasma, chuva. Eu, por minha vez, queria ser o vento. Não porque não goste de ser uma pessoa, até gosto. Mas o vento é estranho, ora leve, ora forte, invisível, até necessário. É livre o suficiente para se jogar contra os rochedos do mundo, contra as muralhas dessa vida e, insistindo, faz com que sua voz ecoe entre eles. Ele voa para os lugares altos e os mais baixos; e ninguém é completamente insensível a ele. Sua fúria pode destruir cidades, mas sua calma pode ser o alívio num dia quente. Numa noite escura pode ser tão terrível quanto nossos medos mais escondidos e num dia de chuva tão triste com uma lamentação. Ele é a própria natureza em movimento, o fluir do espírito deste planeta errante. Seu caminho é incerto e impreciso, ele vai e vem, começa e nem sempre termina. Balança folhas, nos faz sentir frio, varre o telhado das casas, as ruas. No fundo, o vento é a melhor metáfora da liberdade, do espírito, do que deveríamos ser.
Escrito por paulo honório às 14h15
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Um rio Talvez pelo fato de ser mineiro não gosto tanto de grandes extensões de água, de vê-las tomando o horizonte, engolindo e turvando o finito que vemos. As amplitudes desse meio de Brasil sempre me foram mais caras que o absoluto do mar, onde tudo se torna água e já não há mais terras, montanhas, paisagens. No mar não parece haver caminhos, possibilidades, desdobramentos. O mar é e ponto. Ele se basta. Prefiro os rios, eles, ao contrário, são estradas, vias; vão rompendo mundos, ruindo obstáculos, abrindo passagem, construindo. São insistentes, atrevidos, petulantes até. Passam onde não deveriam, buscam o caminho mais fácil; mudam, diminuem, mas também se tornam violentos, arrasadores. Carregam tanta coisa em si e no fim dão tudo, seja para o mar, seja para outro maior. Não ficam com nada. Transformam-se em outros, se misturam. Morrem para outra coisa nascer. Tão arrogantes e tão generosos. Um rio é também um tempo. Ele está sempre lá, correndo, mas também parado, em algum lugar, vigiando o mundo ao seu redor; contando histórias. Paciente, ele espera que o mundo mude para então mudar com ele. É como um livro, que sempre é escrito e reescrito, mas que prefere não ser conhecido de todo. Um rio conta tudo de si e não diz nada, em seu silêncio fala coisas secretas, coisas que não são compreensíveis. Um rio caminha no espaço do mistério, onde tudo não é bem o que se vê, menos ainda o que se ouve. Serpenteando, cria mundos para si tornando-se senhor e razão deles. Suas águas, sua força, seu contínuo, sua seca são como a própria vida: abundante, rara, profunda,improvável. Um rio permanece, nós passamos. São testemunhos dos tempos enquanto que nós estamos mais para brisas em dias abafados. Quando os povos e suas civilizações forem esquecidos no sono do futuro, eles ainda estarão lá, retomando seu brilho perdido e, quem sabe, contanto também nossas histórias.
Escrito por paulo honório às 17h15
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Monstros na noite escura Uma torrencial chuva cai sobre uma pequena cidade em algum lugar da América do Norte; janelas quebradas com quedas de árvores, falta de luz, enfim, velhas tempestades e um outro dia amanhece. Um pai vai com o filho ao mercado, que fica no centro da cidade, para comprar mantimentos e providenciar reparos na casa, afinal o tempo não parecia melhorar. Tudo relativamente tranqüilo, nada de muito anormal até um espesso nevoeiro tomar conta da cidade, de toda ela. Em poucos instantes não se vê mais nada do lado de fora do prédio do supermercado, todo estacionamento está invisível. Dele surge um homem gritando e bastante machucado, falava que havia alguma coisa na névoa que o atingira, mas não sabia o que era, somente que era forte e agressivo. As pessoas ficam meio confusas com tudo aquilo e, lógico, assustadas. Esse é o começo do O Nevoeiro, um filme baseado no conto de mesmo nome de Stephen King. Não se via nada para além das vidraças do mercado, somente a pesada e bloqueante névoa. Ela envolvia a cidade e a sufocava. Nenhuma outra cor ou luz, só ela e, nela, alguma coisa ou coisas. Dentro do prédio as pessoas já impacientes começam a quer sair e ou tentar compreender o que de fato está acontecendo. Animosidades não demoram a surgir e alguns saem. Uma mulher some no nevoeiro e não volta, um homem também vai, mas dele se ouvem gritos de dor e desespero. Lentamente tudo começa a piorar e piorar bastante. Não era um nevoeiro comum. Nele se escondiam seres monstruosos, famintos, ávidos por caça. Alguns gigantescos, outros semelhantes a animais antigos. Bestas feras avançavam no mais denso nevoeiro que se tinha notícia e, dentro do prédio, pessoas horrorizadas não tinham mais a menor noção do que era tudo aquilo. Era como se o próprio inferno estivesse se materializado. Não havia mais nada que fazia sentido, nenhuma racionalidade poderia explicar a dimensão que os fatos estavam tomando. E quando falta tudo existe uma saída fácil e antiga, muita antiga: a escuridão, o lançar-se profundamente nas trevas do pensamento humano. Quando o medo e o desconhecido se fundem, não há limites para as tentativas de se escapar deles. Mortes, perseguições, sacrifícios e sangue são requeridos das pessoas presas para aplacar a fúria apocalíptica que havia sido derramada naquela pequena cidade. Como se o pesadelo de fora não bastasse, outro tão pior começa a rivalizar com ele o desespero daquelas pessoas. Os desdobramentos da trama de O Nevoeiro são absurdamente interessantes, a forma como o filme constrói seu desfecho, seus personagens e as situações vividas por eles são excelentes. E o melhor dele não são seus monstros, mas os nossos. Esses que vivem nos esconderijos secretos dos mundos que existem em nós, em universos completamente desconhecidos da nossa racionalidade. Esses seres que, às vezes, emergem abruptamente nos golpeando e diminuindo. Nos avisando que nem sempre todo freio cultural, histórico, moral ou mesmo religioso pode aplacar essa barbárie intima que nem sabíamos existir, mas está lá dentro, como um vulcão ancestral que ninguém mais achava que podia explodir e que, sem avisar, faz estragos imensos e depois volta ao seu sono secular até, um dia, quem sabe, explodir de novo.
Escrito por paulo honório às 17h29
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Um Réquiem para um Sonho Existem personagens que são melhores e maiores que seus filmes ou livros. Há exemplos inúmeros de como um deles é capaz de ser toda da diferença, todo o tempero que uma obra pode ter. Alguns são frutos da independência que eles detêm sobre seus autores e/ou da perspicácia de seus interpretes. Um exemplo que me tem vindo muito à memória nos últimos tempos é o de Sara Goldfarb, interpretado por Ellen Burstyn em Réquiem para um Sonho. Certamente esse não é um filme consensual, bem ao contrário até. Quando o assisti pela primeira vez, a mais de sete anos atrás, ele me pareceu forte, mas bem distante da realidade, da minha. A história não é nem tanto muito original: jovens que fazem o diabo prá conseguir manter seus vícios e tal.. Indo bem além do possível.. Mas é Sara o grande eixo do filme. Mãe do personagem central do filme, ela é a forma de se conversar com um mundo maior. Uma senhora de meia-idade, um tanto castigada pela vida, refém de alguns momentos de felicidade e que tem na televisão algo mais que companhia. E nela que Sara vê o mundo, o entende e espera dele. Até que um dia acontece de aparecer um convite para uma possível participação no seu programa favorito, algum talk show de perguntas e respostas, qualquer coisa assim. É bem verdade que a história do filme se desloca também para o que acontece com os tais jovens, mas é nela, nessa senhora, que existe algo de mais interessante. Sara precisava ir ao programa, mas ela não possuía o mesmo corpo que um dia a deixou tão contente com si mesma num vestido vermelho que usou na formatura do filho. Quilos a mais a separavam de um dia glorioso. Sendo assim não hesita em tentar métodos químicos duvidosos para um rápido emagrecimento. E os dias passam, as doses cada vez maiores e os resultados não tão bons, mas o principal não acontece: a confirmação de sua ida ao programa nunca chega. O peso disso, de tudo isso, começa a ser muito, a ser difícil de ser controlado. A lucidez começa a ser uma amiga faltosa e logo chegam intrusos pensamentos de medo e dúvida. Fantasmas passam a conviver em sua mente e, como se não bastasse, a acusam. De ser quem ela é, de suas coisas, de sua vida pequena, de sua solidão, do seu pouco. A vida mágica que a TV apresenta e vende passa a cobrar de Sara a sua, que é tão insignificante. Em seus delírios ela vê, em seu apartamento, as pessoas que ela vê a anos rindo dela e de seu universo doméstico, tão distante da sofisticação e do brilho televisivo. E ela não pode fazer nada, afinal ela é imensamente menor, mais fraca. Num processo tenso o maior vai consumindo o menor e tudo que ele possui. Certamente essa história já não é tão interessante agora, mas existe um ponto central nela, que a meu ver e o que mais me marcou nesse Réquiem. Essa desafortunada senhora possuía um desejo secreto, algo que ela queria externalizar: ela queria ser amada.. ser amada.. De alguma forma, pelo seu filho, pelas pessoas, pelo mundo, ela queria ser amada. Por ser ela, por ser uma boa pessoa, mãe, enfim, ela queria ser amada.. Queria que sua alegria, já tão empoeirada pelos anos, fosse revigorada e distribuída. Queria ser radiante. Um dia, alguns minutos. E ela quis. Quis muito. E era pela TV que todos iriam ver como essa alegria e esse amor são sinceros, profundos até. Nela sua beleza seria resgatada e, como num sonho, ela seria feliz, plena, suave, inteira. Lógico, sua fantasia não se concretiza e a realidade foi bem mais dura do que sua solidão de antes. Mas o que dizer dela, de Sara? Ela é talvez um caminho, inocente, mas um caminho. Sua ambição era verdadeira. Quantas ambições existem nesse mundo? Quais são tão desejáveis quanto essa? Lógico, não de deve esperar laranjas de limoeiros. Réquiem para um Sonho provavelmente não é um grande filme, mas fala de coisas e sentimentos difíceis. Ele fala de alguém que, no escurecer da vida, quis algo simples, mas buscado de um jeito improvável, como alguém que procura por água num rio seco. Mas quem não precisa ser amado? E qual o erro dessa busca? Até onde se pode ir querendo o que não pode ser achado? Ou pode? Não é ele que nos procura?
Escrito por paulo honório às 11h11
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When I look back upon my life It's always with a sense of shame I've always been the one to blame For everything I long to do No matter when or where or who Has one thing in common, too
It's a, it's a, it's a, it's a sin It's a sin Everything I've ever done Everything I ever do Every place I've ever been Everywhere I'm going to It's a sin
At school they taught me how to be So pure in thought and word and deed They didn't quite succeed For everything I long to do No matter when or where or who Has one thing in common, too
It's a, it's a, it's a, it's a sin It's a sin Everything I've ever done Everything I ever do Every place I've ever been Everywhere I'm going to It's a sin
Father, forgive me, I tried not to do it Turned over a new leaf, then tore right through it Whatever you taught me, I didn't believe it Father, you fought me, 'cause I didn't care And I still don't understand
So I look back upon my life Forever with a sense of shame I've always been the one to blame For everything I long to do No matter when or where or who Has one thing in common, too
It's a, it's a, it's a, it's a sin It's a sin Everything I've ever done Everything I ever do Every place I've ever been Everywhere I'm going to - it's a sin It's a, it's a, it's a, it's a sin It's a, it's a, it's a, it's a sin
(Confiteor Deo omnipotenti vobis fratres, quia peccavi nimiscogitatione, verbo, opere et omissione, mea culpa, mea culpa, mea maximaculpa) <PSB>
Escrito por paulo honório às 14h38
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Tenho pensando em como voltar a escrever nesse blog.. No começo queria que ele fosse algo para falar de tudo, falar das coisas q passa pela vida, pela minha. Mas pq isso? Quem vai querer ler ou por que vou querer expor? Talvez pq é uma forma de diálogo, de falar as coisas, de pensar em voz alta, enfim..é um pouco de pretensão também. Afinal, tem coisas que não deveriam sair do âmbito do reservado, pessoal, privado ou o que quer que seja. Mas tenho minhas razões em querer continuar, falar aqui do que não falo com as pessoas sempre ou de um outro modo. Lógico que são meros devaneios tolos, como alguém já cantou antes. Mas gostaria de ser sincero aqui, não em tudo, mas em boa parte e medida.
Escrito por paulo honório às 12h37
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